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01/12/2009 00:39:04
Informe Ipirá
Produtores de sisal protestam em Conceição do Coité
Os
produtores anunciaram que, caso perdure essa situação, eles vão fazer
uma grande articulação nos municípios produtores de sisal e ameaçaram
fechar várias rodovias na região de Jacobina, Campo Formoso e Conceição
do Coité.
Produtores
estão insatisfeitos com a ausência da Conab, que deixou de comprar o
sisal, realizaram uma manifestação na manhã de sexta-feira (27), na
cidade de Conceição do Coité, aproveitando da presença do governador
Jaques Wagner (PT). Eles garantem que sem intervenção, diante da crise
nas vendas, os preços caem e os prejuízos aumentam.
Mais
de cinquenta veículos, entre caminhões, camionetas e até mesmo,
carroças, carregadas de sisal, estacionaram cedo sexta-feira (27), nas
ruas próximas e na Praça da Babilônia, chamando atenção de todos para o
caos que se abateu sobre a economia sisaleira depois que a Companhia
Nacional de Abastecimento (Conab) deixou comprar a produção do sisal.
Segundo
o produtor Raimundo Emidio dos Santos, 48 anos, proprietário das
Fazendas Vaca Brava, em Retirolândia e Olhos d´Água, em Santaluz, que
está sem vender a sessenta dias a fibra, a ausência de Conab trouxe de
volta a figura do atravessador que, na maioria de vezes, oferece preços
irrisórios, o que leva os pequenos produtores a situação de falência.
Ele
disse que juntamente com seu pai e mais dez pessoas da família produzem
mais de 13 mil quilos de sisal por semana e estão armazenando todo
produto. "Com muito sacrifício estão pagando a eles o necessário para
produzir, esperando que a CONAB volte a comprar e iremos distribuir a
diferença", disse Emidio dos Santos.
A
situação está se complicando a cada dia que passa, garante o agricultor
Dermival Carneiro, 69 anos,(dest) residente na Fazenda Contador, no
município de Retirolândia. "Hoje as batedeiras só estão pagando R$
0,80/kg e mesmo assim só compra dos fregueses tradicionais, pois não
tem concorrência", afirmou.
Ressaltou
ainda que gasta R$ 700 para produzir 1000/kg e fica apenas com um lucro
de R$ 100, para destocar e beneficiar as roças de sisal.
Esta
informação foi confirmada por Cassiano Rios, residente na Fazenda
Buenos Aires. Ele garante que o produtor fica apenas com 30% da renda e
o restante é rateado entre o dono de motor e seus trabalhadores. "Em
2006, ficávamos com 50% da renda e o preço do sisal era R$ 1,20/Kg e
lucrávamos R$ 600. Hoje, o quilo custa R$ 0.80 e nosso lucro é de R$
240. Lamentou Cassiano, que concluiu dizendo que imobiliza a duas
tarefas de terra para plantar o sisal capaz de render mil quilos.
Segundo
Manoel Raimundo Carneiro, 48 anos, conhecido por Dunga, residente no
Distrito de Salgadália, ninguém esta ganhando dinheiro com o sisal. Ele
vendeu o motor que tinha para um dos seus empregados, pois tomando como
base 1000/Kg seco, no final de semana trabalhado, o dono de motor fica
com R$ 50, o servador com R$ 55, resideiro com R$ 40, cortador, R$ 40,
a mulher que estende R$ 20 e o botador, R$ 40, "sem esquecer o óleo
grosso, utilizado pela maquia e fino, usado nas madrugadas, que fica na
média de R$ 100, concluiu seus cálculos, lembrando ainda das questões
trabalhistas, pois os donos de motores são considerados empregadores e
quando acontece algum acidente, são obrigados a sustentar os
empregados".
Os
produtores elaboraram um documento e fizeram chegar às mãos do
governador Jaques Wagner por intermédio do ex-deputado Misael Ferreira,
que tentou usar da palavra no ato de inauguração do Banco do Nordeste,
porém não foi autorizado pelo cerimonial do evento.
Os
produtores anunciaram que, caso perdure essa situação, eles vão fazer
uma grande articulação nos municípios produtores de sisal e ameaçaram
fechar várias rodovias na região de Jacobina, Campo Formoso e Conceição
do Coité. Misael Ferreira disse ao CN que, se o governo não tomar
nenhuma medida, os produtores vão queimar o sisal sobre o asfalto das
estradas que cortam esses municípios. "Não queremos que chegue a tanto,
pois teremos dois prejuízos: a queima da produção e a destruição das
estradas, mas, não podemos ficar de braços cruzados diante dessa
situação", comentou.
O
governador Jaques Wagner garantiu levar o problema até o presidente
Luiz Inácio Lula da Silva, para encontrar uma forma da CONAB voltar a
adquirir o produto. "Já falei com o presidente do Banco do Nordeste, já
falou com o secretário da agricultura para ampliar o volume de dinheiro
para compra direta pela CONAB, para os produtores não terem que ficar
refém dos atravessadores", disso Wagner.
Falou
ainda sobre o esforço do governo para aumentar a utilização das fibras,
a exemplo da fabrica SICOR que será inaugurada em janeiro na cidade de
Riachão do Jacuipe e pediu a FORD que desenvolver tecnologia que possa
usar mais sisal em toda parte de forro dos carros.
Assunto
na assembléia legislativa - Recentemente na assembléia legislativa, o
deputado Adolfo Menezes, lembrando que em Campo Formoso a "Conab deu um
verdadeiro calote nos produtores daquela região". Menezes lembrou que
clima é tenso, e que os sisaleiros estão revoltados com o não
cumprimento do acordo assumido pela Conab.
O
deputado Sérgio Passos lembrou que o PIB do sisal na Bahia foi de US$
150 milhões em 2008. Deste valor, US$ 100 milhões foram para
exportação, seja da fibra bruta ou de produtos manufaturados, como
cordas agrícolas. Em 2009, porém, o setor registrou, de janeiro a
julho, queda de 26% nas exportações em relação ao mesmo período do ano
passado.
Diante
deste contexto, o preço mínimo do sisal, que era de R$ 1,04, passou
para R$ 0,74. A intervenção da Conab estava garantindo a manutenção do
preço anterior e vinha dando condições de sobrevivência ao produtor
baiano.
A
Conab havia garantido a disponibilizado R$ 1,6 milhão para a compra de
sisal, porém, em outubro, sem nenhuma explicação, simplesmente deixou
de comprar o sisal, causando enorme prejuízo a unidades produtores como
Conceição do Coité, Valente, Santa Luz, Retirolândia, São Domingos,
Campo Formoso, Jacobina, Várzea Nova, Ourolândia e Mirangaba.
O
deputado estadual Joélcio Martins disse que o assunto é preocupante,
pois a CONAB tomou a decisão de suspender até os meses de março e abril
do próximo ano a execução do programa pelo qual adquire o sisal
produzido no semi-árido baiano sob a alegação de falta de recursos para
passar a subvencionar indústrias e exportadores que adquirirem o
produto diretamente dos produtores. "Essa linha de crédito se mostra
inviável na prática. Em razão da desvalorização do dólar
norte-americano, o sisal brasileiro não tem preço competitivo no
mercado internacional", diz o deputado, lembrando que através do
programa anterior a CONAB tem garantido a sobrevivência da atividade
agrícola no Nordeste da Bahia, beneficiando aproximadamente 700 mil
pessoas.
Para
Joélcio, a alternativa proposta pela CONAB não resolverá o problema
vivido pelos milhares de pessoas, cuja subsistência está diretamente
relacionada com o sisal. "Conquanto entendamos as limitações
orçamentárias da CONAB, somos forçado a cobrar do Governo Federal
sensibilidade para com o drama sertanejo", afirma o parlamentar.
Por: Valdemí de Assis / fotos: Raimundo Mascarenhas
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